Trabalhar bem é uma forma de existir bem.
O documento que fundamenta tudo o que faço — e o convite para quem reconhece, nessas linhas, a própria travessia.
Ler advogadas e advogados brasileiros respondendo cliente às três da manhã, com filho doente do lado e o corpo cobrando os anos de descuido, não é o destino inevitável da profissão. É só o modelo que conseguimos construir até aqui. E ele está acabando.
Sou advogada há mais de dez anos. Trabalhei em três continentes, atendi clientes em jurisdições que nem sei pronunciar direito, fiz mestrado, juntei certificações de fellow, voltei ao trabalho quatro meses depois de ter minha filha, e fui promovida no ano seguinte. Tenho a credencial. Tenho a trajetória. Tenho o salário que o mercado promete pra quem segue a cartilha.
E mesmo assim, durante muito tempo, a vida que eu vivia não cabia em mim.
A virada foi entender uma coisa simples. A advocacia que herdamos nasceu de um mundo presencial, hierárquico, em que o tempo da casa era resolvido por outra pessoa. Esse mundo acabou. Mas a profissão segue funcionando como se ele ainda existisse.
Quem advoga hoje carrega o pacote inteiro. A excelência técnica. A presença em todas as reuniões. A construção da carteira de clientes. A vida em casa, o casamento, os filhos, os pais que envelhecem. A própria saúde que não pode falhar. E ainda dizem que falta resiliência quando o corpo dá sinal.
Não falta resiliência. Falta um modelo.
Por isso eu construí outro. Trabalho com clientes globais a partir de uma cidade pequena no Sul, atendo em três idiomas, lidero uma equipe internacional, faço o que amo, e estou em casa quando minha filha chega da escola. Não foi sorte, não foi privilégio herdado, não foi mágica de gurus de produtividade. Foi método, foi disciplina inversa, foi aprender a dizer não pra coisas certas e sim pra outras certas.
A esse método eu chamo de SlowDutividade. Produtividade com leveza, ambição com presença, ofício com pousio. Ser excelente por inteiro. Construir sem se quebrar.
A marca Maria Godoy existe para quem já chegou em algum lugar e olha ao redor e pergunta, em silêncio, se vai ser sempre assim. Para quem ganha bem e está exausto. Para quem constrói carteira de clientes e perde o sono. Para quem quer ser presente em casa sem virar profissional médio. Para quem quer ser advogado exigente sem perder o corpo, os afetos, ou a inteireza.
Não sou coach. Não sou guru. Não vendo método de seis dígitos. Não escrevo sobre LGPD aqui (escrevo na coluna técnica e no LinkedIn). O que ofereço é um espaço, uma escrita semanal, e uma comunidade pequena de pessoas que estão fazendo a mesma travessia.
Aqui, ser advogada é um ofício. Não um cargo, não um título, não uma performance. Um ofício, que tem tempo de plantio, tempo de pousio, tempo de colheita. Que precisa de ferramentas afiadas e de mãos descansadas. Que se honra com excelência técnica e com a presença que sobra pra vida.
Esse é o universo. Quem quiser entrar, eu deixo a porta aberta.